Olá Reapers
Já faz um tempo que não escrevo salmos aqui pro site. Quer dizer, apesar de estar na page praticamente todo dia, escrever um artigo é algo totalmente diferente e também, algo que exige mais da minha parte.



Mas vamos aos nossos carneiros. Continuando nossa saga de cenas perdidas, aqui estou eu com um material que, sinceramente, acredito que pouquíssimos conhecem, justamente por estar naquela adaptação em livro, digamos que, um pouco rara. É uma cena envolvendo Billy e Carter na praia, discutindo e tretando enquanto procuram por Alex e Clear (que no momento em questão, rolavam apaixonados e desnudos pela areia de uma praia cenográfica e barulhenta do litoral de Manhatan). 

É importante notar que eu nunca havia tomado conhecimento dessa cena antes de finalmente ler a adaptação em questão. Nunca encontrei stills da cena, ninguém mencionou em entrevistas/comentários etc. Na entrevista com Natasha Rhodes, ela menciona sobre ter escrito material adicional para alcançar o número de caracteres estimado pela editora na época, então meus caros, honestamente não sei. Natasha pode ter encontrado a cena em um roteiro ou simplesmente inventou na hora pra encher linguiça.

Existindo ou não tal cena em um roteiro, o importante é que, incrivelmente, ela se encaixa muito bem no livro e é eficaz em seu objetivo. Billy e Carter estão preocupados, estressados, se odeiam e estão sozinhos. A cena funciona como uma válvula de conhecimento, um tapa de caracterização de ambos os personagens que, de alguma maneira, não aconteceu no filme.
Acompanhem.

_______________________________________________

“Alguns quilômetros de distância, Billy e Carter caminhavam apressados pela vegetação emaranhada que cobria o chão do lado escuro da colina, chamando Alex. Billy atravessava as árvores com uma facilidade invejável, ouvindo atentamente os xingamentos abafados atrás dele, vindos de Carter enquanto cambaleava entre os arbustos espinhentos, um galho na mão abrindo caminho.
Billy pausou numa clareira pequena e esperou pacientemente o atleta o alcançar, balançando as pernas nervosamente. Carter parou subitamente ao lado dele, o olhar estreito, e acenou com a mão em direção a colina na frente deles que levava até a praia. Levou alguns momentos para ele recuperar o fôlego e ser capaz de falar novamente.
“Foda-se. Vamos voltar” 
Billy balançou a cabeça. “Clear disse que tínhamos que encontrar o Alex”.
“Browning que vá se ferrar, beleza? Ele quer agir todo poderoso e cheio de si, se gabando sobre essas grandes profecias? Deixa ele. Tenho coisas melhores pra fazer agora.”
“Mas Clear disse—“
“Clear que vá se ferrar também. O que ela sabe, na verdade?” Carter passou Billy e secou a testa. Suas calças estavam rasgadas e ele tinha um galho pequeno de flores preso em sua camiseta suja. “Por mim a gente volta no carro e espera os dois perdedores se encontrarem. Browning tá envolvido nessa merda psíquica? Deixe ele que faça o trabalho duro.”
Billy encarou Carter, mas o atleta já estava voltando pra colina em direção ao carro. 
“Hey” ele chamou. “Prometemos a Clear. Temos que tentar!”
Carter o ignorou, ocupado batendo raivosamente num monte de plantas espinhentas no seu caminho com o galho. Sua calça se prendeu num espinheiro pontiagudo e ele xingou, batendo descontroladamente enquanto tentava se desenroscar.
“A porra da floresta tá tentando me matar!”
Billy o encarou nervosamente. De algum jeito, o ar parecia estar parado, muito próximo. A floresta estava silenciosa, e só a onda leve do oceano batendo na praia perturbava o silencio não-natural. As estrelas brilhavam refletidas em silêncio, moldando formas estranhas nos galhos mais altos. Era quase como se a natureza estivesse prendendo o fôlego, esperando pra ver o que aconteceria em seguida. 
Billy arrepiou-se, apertando a jaqueta em direção ao próprio corpo. Um som fraco acima dele puxou sua atenção, e ele olhou pra cima, arcando o pescoço pra olhar mais uma vez pro céu da noite.
Logo acima, uma luz piscante riscava o céu-outra aeronave se erguendo habilmente do JFK. Billy piscou, vendo mais uma vez o Voo 180 escalando o céu pelo mesmo caminho logo antes de explodir em uma bola de fogo amarela. Por um momento ele sentiu a mesma facada de medo gelado enquanto percebia que todos em sua sala estavam mortos, e que se não fosse por Alex ele estaria morto também. Naquele momento, de volta ao terminal, sua vida havia mudado para sempre, e mesmo ele sabendo que não havia jeito de voltar atrás, ele não podia fazer nada além de esperar que um dia ele acordaria e descobrisse que tudo aquilo não tinha passado de um pesadelo.
Ao mesmo tempo, ele sabia que aquele nunca seria o caso. Já havia passado muito tempo, e tudo que ele poderia fazer era tentar aproveitar o resto. 
Era tudo que qualquer um deles poderia fazer. 
Billy olhou para o led vermelho da aeronave que piscava, se perguntando quem estava nele, e se eles sabiam o quanto tinham sorte de estarem vivos. Ele rezou para que pousasse em segurança em seu destino. Sua mãe tinha o iniciado nessa coisa de “rezar”, depois do acidente de avião. Billy não era particularmente religioso, certamente não tanto quanto seus pais eram, mas por alguma razão, repentinamente ele achou a ideia estranhamente atraente. O pensamento de que uma força maior estava o ouvindo de verdade, levando em conta seus medos bobos e suas esperanças em relação aos grandes planos do universo, lhe haviam dado uma grande porção de conforto. 
Por outro lado, se Clear estava certa sobre Alex, então ele teria que usar todas as rezas que lhe fossem possíveis...
“Por que estamos nos preocupando em procurá-lo? Se ele está tão amiguinho do futuro, ele vai saber que estamos chegando, certo?”
Billy virou-se e viu Carter o encarando de volta, o rosto angular repentinamente mais aliviado com a luz do céu. Billy deu de ombros, virando de volta para as sombras, não querendo que Carter enxergasse o medo em seu rosto.
“O cara explodiu a casa da Sra. Lewton. Nós nunca iremos encontrá-lo se ele não quer ser achado.”
Houve uma pausa. Carter bateu o galho no chão algumas vezes, mas não se afastou. “Então você realmente acredita que ele fez aquilo? Você acha que ele matou a Sra. Lewton?”
“Eu não sei!” Billy disse triste. “Eu só sei o que eu vi. Eu não acho que o Alex seja capaz de... fazer o que ele fez.” Billy olhou mais uma vez pra cima, enquanto o avião desaparecia no céu imenso. “Ele não é capaz de prever merda? Então ele que continue e passe o resto da vida prevendo coisas na cadeia, pois é lá que ele vai quando os policiais o encontrarem.”
“Certo.” Carter deu um passo para trás, virando o galho no reflexo. Então ele olhou friamente para Billy. “Então você acred-“
“Eu nunca disse que acredito nele” Billy disse um pouco rápido demais. Ele recuou de Carter e encarou triste o mar, as mãos nos bolsos, balançando os ombros contra o frio. “É só...” Ele voltou-se para Carter, pensando. “Tudo está tão confuso, sabe? Tipo, mês passado estava tudo normal, as coisas estavam certas, tudo fazia sentido”. Billy pausou, balançando a cabeça, encarando as luzes do avião. “Agora estamos aqui no meio do nada, traseiro congelando e tentando achar esse cara psíquico da nossa sala, que vai dizer quem de nós é o próximo a morder a maçã.” Ele chutou o chão. “Olá? Eu sou único que precisa de um tempo aqui?”
“Então você acredita nele,” Carter disse calmamente.
Billy suspirou rápido, considerando. Ele olhou pra Carter de lado. “Você acredita?”
Carter bateu em mais alguns arbustos com o galho, com o que Billy achou uma quantidade desnecessária de força.
“Acho que ele só fala merda,” Carter murmurou rápido. “Ninguém pode ver o futuro. Ele teve sorte uma vez, é tudo. Todo mundo pira sobre voar. Olha, em cada avião que realmente explodiu durante o voo, pelo menos uma pessoa a bordo deve ter se preocupado sobre voar antes, certo? É sorte nossa que o Browning é tão idiota que não consegue calar a boca por causa de seus pesadelos de menininha.” Carter parecia tentar convencer a si mesmo, tanto quanto Billy.
“E quanto a Sra. Lewton?” Billy exigiu.
O galho de Carter parou no meio do ar, então desatou com grande força, arrancando o topo de algumas trepadeiras com um som cruel. Vegetação choveu pelo ar como chuva verde. “E quanto a Sra. Lewton?”
“Os caras do FBI disseram que Alex disse a eles que ela seria a próxima.”
O galho escapou da mão de Carter e despencou em direção ao outro lado da colina. Ele xingou. “Por favor, me diz que você tá brincando.”
Billy balançou a cabeça. “Alex sabia que Sra. Lewton iria morrer...”
“Porque ele estava planejando matá-la, certo?”
“Eu não sei!” Billy coçou os olhos, fazendo o reflexo da luz do céu dançar em seu rosto. “Eu gostaria de saber, então eu poderia parar de pensar nessa porra o tempo inteiro. Eu só...” Billy balançou a cabeça, encarando o chão. Ele tomou alguns fôlegos pra se recuperar.
“Eu continuo vendo ele correndo daquela casa, todo estranho, então o lugar explode e eu entendo, hey, ele fez aquilo para cobrir seus rastros, pra fazer parecer um acidente. Eles acharam muita merda lá dentro quando estavam limpando. Tinha sangue em tudo...” Billy pausou, sua voz subindo em medo. “Como ele pode fazer algo do tipo? Ele é tipo, da nossa idade. Como é que do nada ele se transformou num psicopata?”
Carter coçou os braços, tentando se esquentar. Ele parecia diminuir de tamanho de algum jeito, cercado pelas árvores e a noite. “Então nós acreditamos nele?” ele disse, mesmo sabendo o quão ridículo ele parecia.
Billy bufou. “Okay, então Alex assassinou uma mulher, adulta, em sangue frio, então explodiu a casa dela, se arriscando a morrer também, só para acreditarmos que ele tem um tipo de poder psíquico?” Billy jogou as mãos desnorteadas. “Ele não poderia por exemplo, não sei, tipo, nos mostrar alguns truques de cartas ou alguma coisa? Ou nos dizer se os Rangers vão vencer nessa temporada? Pelo menos poderíamos conseguir algum dinheiro nele...”
“Ele disse que sabia que Terry iria morrer.”
“O quê?” Billy congelou e encarou Carter.
“Clear me disse. Alex disse a ela que ele tinha visto tipo, um ônibus fantasma um pouco antes de atropelar ela.”
Billy encarou Carter. Ele estava de costas para a lua, braços cruzados, seu rosto em profunda escuridão. 
“Ele poderia estar só mentindo sobre isso, sabe” Billy disse calmamente.
“É, que seja.” A voz de Carter estava dura. “Então ele sabia que Terry iria morrer, mas ele não salvou ela. Ele salvou ela de uma explosão no Voo 180 e deixou ela morrer um mês depois, bem na cara dele?” Carter girou para encarar Billy. “Então que vá se ferrar! Tudo que ele tinha que fazer era impedir que ela pisasse naquela estrada, então ela estaria comigo, bem agora. Levaria só dois segundos pra salvar a vida dela. Dois segundos.”
A voz de Carter começou a falhar, mas ele continuou se aproximando de Billy. Ele parou a meio metro de distância, seus olhos escuros brilhando furiosos na luz da lua. “Mas ele não salvou, e agora ela tá morta. Deus!” Carter virou-se de volta e chutou a raiz de uma árvore. “Como ele pode fazer isso pra mim? E pra Terry? O que ela fez pra ele? Ela não merecia morrer!”.
Sua voz ecoou colina abaixo, erguendo ecos estranhos na floresta escura.
Billy recuou de Carter, espertamente mantendo distância. “Se você o culpa pela morte da Terry, então você tá afirmando que acredita nele.”
Carter não respondeu. Ele se afastou de Billy, encarando o distante. Após um minuto, ele falou, sua voz embargada com emoção.
“Tudo que eu sei é que se ele tivesse salvo Terry, eu acreditaria nele. Bem agora, eu espero que os pais dele tenham um bom seguro pra ele, pois se não tiverem, vão ter um dia muito ruim quando eu encontrar ele. Ele não precisa ser psíquico pra prever isso.”
Billy observou Carter enquanto voltava pro carro. 
Lançando um olhar preocupado na escuridão ao redor, Billy desceu atrás de Carter. Ele só torceu para que Clear encontrasse Alex antes de Carter.

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  Particularmente, apesar de todo o mimimi e conversas que não dão em nada, eu realmente gosto dessa cena. Ela traz o melhor do Carter em jogo. Arremessar tudo que ele sente na mesa é praticamente obrigar o leitor a sentir-se na pele dele. E funciona pois, assim que Carter começa a falar de Terry, você sente por ele. Carter se torna mais verossímil e Terry também. Você se pergunta porque é que Alex não pensou direito durante a cena do café – mesmo sabendo que nada disso faz sentido no presente do filme, e no nosso presente também. 
Enfim, não consigo concluir esse pensamento. Deixo a cargo de vocês. Espero que tenham curtido, até o próximo e comentem por favor, foi um saco traduzir essa porra toda. 






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4 comentários:

  1. Meu deus, posso parecer um fanboy dando "squee", mas fico admirado de ver que tanto a Natasha quanto a Christa fizeram um excelente trabalho nas novelizações. Eu presciso URGENTE comprar a novelização do FD1, meu favorito, e tenho certeza que vou encontrar muitas cenas extremamente úteis e nunca antes vistas no filme. Muito obrigado MESMO por esse pequeno teaser, Vínicius!

    Me diz se for possivel, tem como você... sei lá, ver se dá como disponibilizar a novelização do FD1 online? Porque comprar pelo Amazon tá próximo do impossível, e seria até muito melhor pra mim ler online, mesmo preferindo por capa dura. Consegui a novelização do FD3 e amei, tenho certeza que essa vou amar 3 vezes mais, e nem prescisa ser traduzida, prefiro ler em inglês. Ou... não quero forçar, apenas sugerir, se não quiser mais o livro e quiser vender, posso fazer um pagamento imediato pra você pra comprar (mas espero também se quiser fazer uma cópia digtal pra você), OUUUUUUUUUUUUUUU, apenas tentar ver se consegue fazer uma cópia digital com o pessoal ae? Agradeceria muito mesmo você e o pessoal do RIP Brasil, se fizessem isso, e se quiserem, até posso pagar vocês pra fazer isso (não quero extorquir vocês! Haha). Abraços!

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  2. Eu concordo. Ambas fizeram um trabalho impecável, e acredite, Nancy Collins não fica nem um centímetro atrás de ambas no nível qualidade, embora eu ainda prefira a escrita pulp da bela Christa Faust.
    Enfim cara, como eu já mencionei, é realmente difícil. Não tenho tempo, nem scanner. Sem contar o estresse para o upload da coisa toda. Eu realmente gostaria, mas isso iria ferir seriamente minha rotina que já não é das mais interessantes.

    Desculpa, mas vender está fora de cogitação amigo USAHSHASHASUHSAUH eu dei duro pra conseguir o tal livro KKKKK.

    Sem problemas cara. Eu ainda vou pensar nisso tudo. Quem sabe quando eu vou ter mais tempo livre? Então talvez role. Mas agora, definitivamente não. Já prometi uma tradução de livro que eu nunca dei conta de fazer. Então não vou dar esperanças em falso. :(

    Mas muito obrigado por todos os elogios e inclusive as ofertas. É bom saber que ainda tem gente interessada na coisa toda. Até mais amigo!

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  3. Entendi. É não se preocupe, apenas estava sugerindo.

    Acho que vou ter que ver alguém que venda então, lol.

    Beleza, pode fazer quando der. E lembre-se que posso custear ou ajudar a custear a impressão!

    Abraços.

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  4. Eae, Vinicius, beleza?

    Recentemente andei vendo novidades por aqui, e o site anda sensacional!

    Então cara, acredita que meu livro do FD1 nunca chegou? Fico muito bolado, agora só tem um que custa uns 500 reais pra pagar. Muito tenso isso. Mas tomara que quando eu comprar agora, chega. Acho que minha encomenda se perdeu no caminho, saca?

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